willperativo

V(ery) I(diot) P(eople)

by on Jun.22, 2010, under nonsense

Niterói tem dessas coisas. Imagino que todos os lugares tenham, mas a gente sempre tende a achar que certas coisas só acontecem no contexto em que vivemos. Enfim… há muitos anos eu satirizo as festas “fechadas” daqui. Aquelas festas a que só vai gente VIP, sabe? Então… aquelas em que você vai e encontra TODO MUNDO. As mesmas pessoas de sempre, claro. Mas todas elas estão ali. E todas se sentindo VIPs. Exclusivas. Poor people.

E então eu fui a  mais uma dessas festas ontem. Juro que foi a última noitada de 2010. A não ser que haja algum aniversário de amigo muito próximo, daqueles que não tem como faltar, não me meto em uma noitada tão cedo. Quiçá nessa vida. Perdi a pegada desse tipo de programa. Não tem a menor graça.

A noite não foi especialmente ruim. Não teve nada de errado, nada fora dos padrões de uma típica festinha playboys-patricinhas. A música estava boa, as pessoas eram (muito) bonitas, tinha até, incrivelmente, muito, mas muito mais homem do que mulher. E, mesmo assim, eu olhava aquilo tudo à minha volta e só conseguia pensar em uma expressão: show de horrores. E, mera espectadora, comecei a observar.

Fiquei chocada como todas, absolutamente todas as meninas estavam vestidas igual. Com o cabelo igual. Sapatos iguais. Bijouterias iguais. Parecia que tinham aberto uma máquina pré-programada de onde saíam modelos idênticos. E comecei a entender o que certos homens querem dizer quando falam que não gostam de mulheres assim. E comecei a me questionar como pode existir homem que gosta de mulheres assim.

As pessoas ignoram que nem toda roupa é pra qualquer corpo. E aí aquela menina que não é gorda, mas não é esguia, transforma-se em um pequeno bujão porque, apesar de a roupa não lhe favorecer, precisa ser usada – está na moda. A relação modelito-clima é um tema à parte. Devia estar uns 15 graus, ou menos. E enquanto saía fumaça das nossas bocas ao falar, uma dúzia de exemplares femininos de mini saias e decotes até o cóccix andavam de um lado pro outro, peito estufado e bunda empinada. Bundas tão grandes e tão empinadas em vestidos e saias tão justos que, sei lá, é bonito isso?!

Não vou me estender muito mais. Não vou dedicar um parágrafo inteiro aos grisalhos vestidos como adolescentes e babando pelas menininhas. Nem aos baldes e mais baldes de vodka e energético. Tampouco vou citar os ex-presidiários que continuam circulando pela ‘high society’, como se nada tivesse acontecido, com as calorentas aos seus pés porque, afinal de contas, ser preso por traficar pra elite é muito style.

E os pirralhinhos chegando na gente, com o cigarro pendurado no canto da boca, chamando de gata e dizendo que tá apaixonado? O mais interessante é você dizer que não e ouvir “Ah, então me dá só um beijo e eu vou embora”. Porque ah, agora sim! Agora me convenceu.

Ainda bem que a galera que frequenta essas festas não lê coisas como blogs. Certeza de que eu seria sabatinada e taxada de recalcada ou coisa pior. A respeito disso, só tenho uma coisa a dizer: Nunca tive, ao mesmo tempo, tanta vergonha por ter feito parte disso e tanto orgulho por finalmente estar, hoje, tão à vontade com quem eu sou. E tão satisfeita por quem eu sou não se encaixar mais nesse tipo de ambiente.

Texto: Paula Soares (Geek in the Pink)

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